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terça-feira, junho 1

domingo, março 1

O futsal faz parte da minha vida - Gilson Piber*

O futsal faz parte da minha vida
Gilson Piber*


A convite do jornalista, radialista e professor de Educação Física, Clery Quinhones de Lima, volto a escrever sobre futsal, uma modalidade esportiva que aprendi a gostar ainda como criança, na segunda década dos anos 70, nos tempos em que morava na rua Gonçalves Dias, no bairro Perpétuo Socorro, em Santa Maria (RS).

Graças aos amigos e ao Areião Esporte Clube, fundado em 23 de dezembro de 1978, foi possível conhecer e praticar o futsal, naquela época chamado de “futebol de salão, o esporte da bola pesada”. Os primeiros chutes na quadra de areia localizada no terreno do seu Luiz Coelho, marido da dona Ivone e pai do José Fernando e do Paulo Roberto, foram fundamentais na então formação esportiva, e porque não dizer no aprendizado pessoal, de muitos garotos como eu. No começo, era tudo diversão. Depois, virou competição, com os torneios disputados nas quadras do Clube Atirador Esportivo, do Colégio Santa Catarina, da Escola Perpétuo Socorro e do Clube 21 de Abril, entre outras tantas.

Os embates do time adulto do Areião contra América, Zebrão, Kinta Dimensão e Bandeirantes, na quadra do Esportivo, eram duros, acirrados e bem disputados. Nossa torcida ficava no lado oposto da entrada na quadra. Na contabilidade dos jogos e da luta pelos títulos, o Areião saiu mais vezes vencedor. Papico, Eldio, Lídio, Jacaré e Chico formaram um quinteto espetacular, com as opções do saudoso José Paulo Pedron, o Cem, José Fernando, Baiano, Caco, Céinho, Tonico, Necco Vaz, os técnicos Luiz Crescêncio e Ito, e os dirigentes Luiz Coelho, Celésio Pippi, Glenir Sant´Anna e Walter Link. Não dá para esquecer dos atletas Nei Peixoto, Fininho, Glenir, Lixa, Nero, Flávio, Vilmar e Iedo, entre tantos outros. As esposas, as namoradas, os filhos (as) e demais parentes, enfim, formavam a família do Areião. O time até disputou o Citadino numa temporada, mas sem o mesmo êxito das competições comunitárias. Valeu a experiência.

De 1986 a 1989, cursamos Jornalismo na UFSM, mas o futsal não saía de cena. Os jogos eram realizados nas quadras do Parque Itaimbé, quase sempre aos sábados à tarde. O nosso quinteto tinha Romeu, Danilo, Gilson, Adriano e Angelo. Não perdemos um jogo sequer e saímos invictos do curso. É verdade e todos estão vivos para confirmar.

No jornal A Razão, a partir de dezembro de 1989, começou a fase de jornalista profissional. Cobrir os Citadinos de Futsal e outros torneios era pauta certa, inclusive acompanhando até o final os jogos no CDM. Com o time de A Razão em quadra e sob o comando do técnico Claudemir Pereira, ficamos em 3º lugar no Campeonato do Sesi, em 1991. Guardamos o mimo – um mini troféu – ganho pela conquista até hoje. Um período de enorme aprendizado com a equipe jornalística e esportiva de A Razão, sem falar nas novas amizades firmadas graças ao esporte.

Em 1993, uma nova porta se abriu, por meio do convite do jornalista Claudemir Pereira, então editor do jornal Pioneiro, para trabalhar na editoria de Esportes daquele impresso de Caxias do Sul. O futsal cruzou o nosso caminho novamente, na cobertura dos jogos da Enxuta e do Vasco da Gama no Estadual de Futsal. Os times da região – ACBF (Carlos Barbosa), Galera (Nova Prata), Lagoense (Lagoa Vermelha), entre outros – também tinham acompanhamento do jornal.

A Enxuta retomou, em 1993, a hegemonia do futsal gaúcho, perdida para a SER Itaqui (1991) e Perdigão/Marau (1992). Sob o comando do técnico Jari da Rocha, o Jarico, o time caxiense precisou de três jogos contra a SER Itaqui para ficar com o título. Ganhou o primeiro em casa (7 a 6), perdeu o segundo fora (6 a 4) e venceu o terceiro (5 a 3), também disputado na fronteira oeste. Jarico contava com os goleiros Glauco, Augusto e Almir, os fixos Ike, Giba e Júnior, os alas Bela, Tchelo, Guga, Cesinha e Leonardo, e os pivôs Jorginho, Roberto e Leco.

Em 1994, a Enxuta foi bicampeã gaúcha ao superar a Perdigão/Marau e, em 1995, tri ao ganhar da Lagoense. Depois, o time caxiense encerrou as atividades do departamento de futsal. A seguir, veio a etapa de êxito da ACBF, de Carlos Barbosa, nas quadras, com dez conquistas do estadual (1996, 1997, 1999, 2002, 2004, 2008, 2009, 2010, 2012 e 2013).

O sonho de cobrir uma fase final de Taça Brasil de Clubes de Futsal foi concretizado em 1994, pelo jornal Pioneiro. O torneio foi disputado em Natal (RN), no ginásio Humberto Nesi, o Machadinho, que acabou demolido em 2011 para dar lugar à Arena das Dunas. A Enxuta, do técnico Eugênio Portillo, foi a representante gaúcha. O time caxiense fez a decisão com a Inpacel, de Arapoti (PR), e perdeu o título na prorrogação. No tempo normal, o jogo foi 1 a 1, gols de Índio (I) e Bicudo (E). Na prorrogação, Índio marcou mais dois gols e o time do técnico Fernando Ferretti ficou com a taça. A Inpacel tinha um timaço, formado por Serginho, Waguinho, Vander Iacovino, Manoel Tobias, Ortiz, Índio, Danilo, Fininho, Edinho e Paulinho. No grupo da Enxuta, Augusto, Serginho, Bela, Tchelo, Jorginho, Edésio, Manta, Bicudo, Giba e Leandro. Para um jornalista novato, foi muito interessante atravessar o Brasil e ficar quase dez dias respirando futsal da mais alta qualidade.

Em 1995, já de volta a Santa Maria, após ser aprovado em concurso público na UFSM, veio o convite do então presidente da Federação Gaúcha de Futebol de Salão (FGFS), Léo Evandro Tubino Fraga, para atuarmos como assessor de imprensa do XX Campeonato Brasileiro de Seleções de Futsal, categoria principal. O torneio foi disputado em Porto Alegre (RS), no ginásio Tesourinha. O Rio Grande do Sul, sob o comando de Alexandre Zilles, o Barata, conquistou o título, o quinto na caminhada, ao derrotar São Paulo na decisão. Foi um belo aprendizado pela convivência com dirigentes, técnicos e atletas de todo o país, bem como colegas de imprensa.

Santa Maria sempre teve prestígio e competência para sediar torneios de futsal. Em 1988, o Centro Desportivo Municipal (CDM) abrigou os jogos do hexagonal final do Estadual. O Pozzobon representou a cidade e obteve a 3ª colocação, a melhor de equipes adultas locais no campeonato. A Enxuta, de Caxias do Sul, foi a campeã, com o Inter-PA na 2ª posição. Também participaram Olympia, de Santo Ângelo, Teresópolis, de Porto Alegre, e Portuária, de Rio Grande. No grupo do Pozzobon, sob o comando do técnico Leonardo Colvero, os jogadores Chico, Moroni, Guaragibe, Gilson, Uberlei, Chico Quaraí, Jacó, Miguelzinho, Tito, Milton, Gilberto e Acelino.

O município também sediou uma fase eliminatória da XVII Taça Brasil de Futsal. Foi em 1990, com partidas no CDM. A Votorantim (PE), de Mazureik, Manoel Tobias, Bicudo, Rabicó e cia, foi a vencedora da etapa. A Enxuta, de Caxias do Sul, finalizou na 2ª colocação. Sadia (SC), Aliança (CE), Clube Jaó (GO) e Eletropaulo (SP) também disputaram a fase.

Inúmeras são as vitórias consagradoras de times do futsal santa-mariense. Optamos por ressaltar duas. A primeira foi em um quadrangular do Estadual de Futsal de 1987, disputado no ginásio do Corintians, em Santa Maria. O Pozzobon, do técnico Leonardo Colvero, aplicou 6 a 1 na Trilhotero, de Pelotas, gols de Milton (4), Guaragibe e Nardela. O resultado classificou a equipe de Santa Maria para o hexagonal final do certame, a ser disputado em Cruz Alta, onde o Pozzobon obteve o 4° lugar. Em 1997, com o ginásio do Corintians lotado, o Jobi fez 6 a 4 na poderosa ACBF, de Carlos Barbosa, pelo Estadual da Série Ouro. O vice-prefeito na época, Marineu Ziani, teve de entregar a taça comemorativa ao aniversário da cidade para o Jobi. A equipe dirigida por Leonardo Colvero teve Guto, Sandro, Domênico, Robson Camarão e Lorenzo. As opções eram Beto, Gilson, Iso, Zeco, Gonha, Lisandro e Emerson. Os gols do Jobi foram marcados por Sandro (2), Lisandro (2), Lorenzo e Emerson. A equipe foi a 7ª colocada no Estadual de Futsal de 1997.

Pela projeção que atingiu, consideramos o pivô Lorenzo Engel Fontana como o jogador de maior destaque do futsal de Santa Maria. Depois de atuar na Associação Santa Maria e no Jobi, Lorenzo passou pela Perdigão/, UPF/Passo Fundo e Ulbra/Canoas, onde foi campeão da Liga Futsal em 2002. O pivô era habilidoso, goleador e chegou a ser pré-selecionado para integrar a Seleção Gaúcha. Tinha uma técnica apurada, que dava muito trabalho aos marcadores. No exterior, Lorenzo jogou no Luparense, da Itália, e no Cartagena, Benicarló, Azkar Lugo e Marfil Santa Coloma, todos clubes da Espanha. No Marfil, também foi dirigente. Em 2012, assumiu a função de supervisor administrativo no futsal do Corinthians (SP).

Pozzobon, Portella, Brahma, APUL, Pepsi, Dínamo, Alvorada, Rizzatto, Banrisul, SM Ferramentas, Salão Universitário, Caldas Jr. Carlesso e Copetti, Foreves, AABB, Cruz Vermelha, Mecânica Dellamea, Clarion, Chapecó, Ouro Verde, Transfortesul e os times dos clubes Santamariense, Esportivo, Dores e Socepe marcaram época nos anos 80 e 90 do futebol santa-mariense. Nos anos seguintes, o Dores/Bambino, a Associação Santa Maria/Brandt, a Raízes, o Fóton/Centrosul e a Fames, também, contribuíram para colocar o nome Santa Maria em destaque no cenário estadual. Em 2014, América e União Independente disputaram o Estadual da Série Bronze.

Luiz Caxias, Leonardo Colvero, Cláudio Pacheco, Mauro Xavier, Betinho, Pancho, Diniz, Flamarion Trindade, José Lima, Michel Saad, Necco Vaz, Nardela, Pito, Guto, Luiz Fernando Dida Nunes, Alexandre Lobo, Wella, Boquita, Keller, Bitencourt, João Hugo Da Cas Filho, Kennedy, Cabeto, Gilmar Flores, Pedrinho Stangherlin, seu Eli, Lixa, Bochecha, Adonato Alves, Emil Salamoni, Nelson Link, José Mariano Beltrame, João Souza, Antonio Tessis, Neneco, José Soldati, Odilo Ravanello, Paulo Brandt, Zoé Dalmora, Edgar Vaz, Paulo Augusto Irion, Ari Vilmar Barroso, Luiz Carlos Druzian, Waldemar Carvalho, os irmãos Flávio e Hélio Portella, Jânio Costa, Doraci Vendruscolo, Ary Renan Schuch, Sérgio Silva, Cláudio Ávila, Carlinhos Lopes, Ladário Souza, Flávio Martellet, Vicente Jacoboski, Renato Conceição, Sérgio Gonçalves, Argeu da Silva, Oswaldir Dutra, Job Vasconcelos, Dirseu Castiglioni, os irmãos Almir, Emir e Valmir Torres, Enio Krauchemberg, Moacir Almeida, Ubirajara Laranjeira, Carlos Polenta Bertagnoli, Jorge Roscoff, os irmãos Chico e Dosley Alemão Prates, Afonso Brum, os irmãos Arizoli e Fernando Lencina, Carlos Della Méa, Pedro Aguiar, Sandro Colvero, Zula, Marcelo Jaques, Claudio Oliveira, entre tantos outros, são figuras importantes na história recente do futsal santa-mariense. Algumas jogaram, outras não. Porém, todas trabalharam fora das quadras para que o futsal de Santa Maria brilhasse dentro das quatro linhas.

Sobre jogadores de futsal que vi atuar nas quadras locais, ousei fazer uma convocação:

Goleiros – Chico, Moroni, Polenta, França, Papico, Gérson, Ciro, Guto, Taffarel, Dunga e Cristian.

Alas – Jacó, Dôli, Mineiro, Gilson, Banana, Getúlio, Glauco, Ipojucan, Eduardo, Gelton, Gilberto, Guaragibe, Nardela, Paulinho, Dalcol, Elton, Vanderlei, Robson Camarão, Moskito, Iso, Zeco, Cristian, Rodrigo e Lisandro.

Beques (fixos) – Neco, Uberlei, Leley, Schittler, Ianco, Facó, PC, Dinei, Neneco, Luís Henrique, Domênico e Gonha.

Pivôs (frentes) – Tocchetto, Pelego, Breno, Jair, Fico, Zeca, Pito, Batista, Teco, Lorenzo, Huguinho, Mauro e Emerson.

Se pudesse escalar dois times para um confronto no ginásio do Corintians, um dos quintetos começaria com Chico, Jacó, Uberlei, Gilson e Tocchetto. A outra formação iniciaria com Moroni, Paulinho, Facó, Gilberto e Breno. Não sei qual time ganharia. A única certeza é que o espetáculo seria imperdível.


*Jornalista concursado da UFSM, atua no Núcleo de Rádios da instituição – Rádio Universidade 800 AM e UniFM 107.9 MHz. É radialista e foi professor por 15 anos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana. Foi comentarista esportivo da Rádio Guarathan. É doutor em Ciências da Comunicação pela Unisinos/RS. Autor do livro O futsal em Santa Maria: fragmentos históricos – de 1956 a 1970, com o professor Sérgio Carvalho.

quarta-feira, janeiro 22

Campeonato Gaúcho 3ª Divisão 2020 (competição cancelada)

Nome oficial: Campeonato Gaúcho Segunda Divisão
Modalidade: Futebol Masculino
Categoria: Profissional
Organizadora: Federação Gaúcha de Futebol (FGF)
Status: Não disputada



Participantes:

- Associação Esportiva e Recreativa Santo Ângelo - Santo Ângelo

- Associação Esportiva São Borja (AESB) - São Borja

- Associação Esportiva Social e Recreativa Riopardense - Rio Pardo

- Associação Nova Prata de Esportes Cultura e Lazer - Nova Prata

- Esporte Clube Novo Horizonte - Esteio 

- Esporte Clube 12 Horas - Porto Alegre

- Football Club Riograndense - Rio Grande

- Futebol Clube Marau - Marau 

- Futebol Clube Santa Cruz - Santa Cruz do Sul

- Grêmio Atlético Farroupilha - Pelotas

- Players RS Futebol Clube (PRS) - Garibaldi 

- Real Sport Club - Capão da Canoa

- Sport Club Gaúcho - Passo Fundo

- Sport Club Rio Grande - Rio Grande

- Três Passos Atlético Clube - Três Passos

- União Harmonia Futebol Clube - Canoas



PRIMEIRA FASE

Grupo A: Farroupilha, Santa Cruz, Real, União Harmonia, Riopardense, 12 Horas, Riograndense-RG e Rio Grande.

Grupo B: Gaúcho, Novo Horizonte, São Borja, Três Passos, PRS, Santo Ângelo, Nova Prata e Marau.

* Campeonato adiado por tempo indeterminado por epidemia de Coronavírus.
 
21.09.2020 - Cancelado pela Federação Gaúcha.

 
 

terça-feira, agosto 6

Rebechi, o treinador do Gaúcho

     Era o ano de 2007, e o Sport Club Gaúcho embora disputasse a Serie A do Campeonato Gaúcho, começava a dar fortes indícios que uma grave crise financeira estava por surgir. Esta que mais tarde, depois de consolidada, tornou-se a maior de todas na existência alviverde.
     A pouco mais de um mês antes de começar o certame, o clube não tinha contratado comissão técnica nem jogadores. Na antiga "Montanha", o periquito cogitava abrir mão da vaga. Era preciso tomar uma solução imediata para que o Gaúcho entrasse em campo e honrasse sua quase centenária camisa.
    Aí que surge a figura lendária de Armando Rebechi, um dos maiores atacantes da história do clube. Como jogador também foi um jogador pitoresco, pois começou como lateral esquerdo, e como diziam, os mais antigos, não jogava nada, já deslocado para atacante despontou para o futebol e consagrou-se regionalmente como goleador nato. Entrou para a história como o autor do primeiro gol do Estádio Wolmar Salton.
     Então com 69 anos, residente em Porto Alegre, Rebechi acertou com a direção que montaria a equipe e treinaria de graça, para que seu clube do coração não fechasse as portas. Para isso conversou com o ex-jogador e atualmente empresário Paulo César Carpegiani, a vinda de alguns atletas para Passo Fundo, outros procuradores de jogadores emprestaram seus atletas e o Gaúcho entrou em campo. Nomes como Rondinha, Macarini (ex-Passo Fundo) e o  atacante Rodrigo que já havia feito boa passagem pelo grupo foram contratados.
     Contudo, mesmo com o time montado, a situação financeira se agravava: faltava dinheiro não só para pagar os atletas, mas até mesmo para quitar as contas básicas de água e energia elétrica, no antigo Wolmar Salton. Rebechi "emprestou" na época 20 mil reais ao clube.
     Com uma folha de aproximadamente 30 mil mensais, o Gaúcho estreou em casa logo de cara contra a Ulbra de Canoas, uma equipe que investia mensalmente dez vezes mais.
Mesmo com todas essas dificuldades o clube entrou em campo e durante um bom tempo do jogo manteve equilibrado.
    O jogo estava empatado, no início do segundo tempo Rebechi substituiu um meio campo pelo jovem jogador William, a Ulbra estava pressionando, e percebia-se que o alviverde não suportaria muito tempo. Quando finalmente o gol saiu, o treinador não pensou duas vezes e sacou William, que havia entrado na partida 15 minutos antes.
     Aí dava pra imaginar o que aconteceu: a torcida ficou indignada: das sociais ouviu-se um estrondoso grito de um torcedor, que chegou a ecoar nas cabines de imprensa: 
       -Tá caduco véio!!!
      Em seguida um misto de risos e vaias. E foi assim foi até acabar a partida: Gaúcho 0 X 1 Ulbra.
     Poucas horas após o sucedido, Rebechi, indignado, e diga-se de passagem, com razão, pediu demissão. Era o primeiro técnico a cair no Gauchão logo no primeiro dia de competição. 
     A direção, que nada teve de culpa, fez o pedido ao treinador que reconsiderasse sua  decisão, afinal de contas o trabalho não poderia ser afetado pela passionalidade do torcedor.
     Pedido aceito  a após duas derrotas e três empates o Gaúcho mudaria definitivamente  de técnico, Eugênio Silva assumiu o comando do plantel, mas nada pode fazer. O Gaúcho estava rebaixado à Segunda Divisão Estadual.





domingo, julho 21

ACBF Hexacampeã da Libertadores de Futsal 2019

A AMÉRICA É LARANJA NOVAMENTE!!!




ACBF Hexacampeã da Libertadores de Futsal 2019


Campeã da Libertadores de Futsal 2018

domingo, março 3

EC Novo Horizonte de Esteio - Novo clube Profissional no RS


     Com o anúncio da tabela da Terceirona Gaúcha, feito por parte da Federação Gaúcha de Futebol, surge mais uma novidade no cenário do futebol profissional estadual: O Esporte Clube Novo Horizonte de Esteio, município da Região Metropolitana de Porto Alegre. 
     Este é o segundo clube da cidade que disputa competições profissionais, sendo que existiu nas décadas de 1960 e 1970 o Atlético Lansul que participou de edições da Segundona de Profissionais.
     O Esporte Clube Novo Horizonte nasceu em 28 de dezembro de 2008, depois que seu presidente, Rudimar Marques Cardozo teve sua carreira de jogador interrompida por uma grave lesão. Mesmo diante deste imprevisto Rudimar  Cardozo que passou pelas categorias de base de clubes do Rio Grande do Sul e coordenou projetos sociais vinculados ao futebol  não desistiu de seu sonho que era trabalhar no mundo futebolístico.
    A partir daí foram formadas diversas equipes nas categorias de base, que disputaram importantes competições de formação de atletas como a Copa Cidade Verde de Três Coroas.
     Em 2016 foi formado o elenco profissional que disputou amistoso contra o EC São José de Porto Alegre e empatou em 0 a 0 com o clube da capital no Estádio Passo D'Areia.
    Agora o maior desafio em seus sete anos de existência. A Terceira Divisão do Rio Grande do Sul, aonde o tricolor esteiense enfrentará equipes tradicionais do cenário gaúcho como Farroupilha de Pelotas, Guarany de Bagé, Bagé; Gaúcho de Passo Fundo entre outros.



quinta-feira, novembro 8

Contos do Futebol Gaúcho - Investindo na Carreira



 Investindo na Carreira



Guarany Atlântico Futebol Clube (Santa Maria)



            Na década de sessenta, do século passado o Guarany Atlântico, de Santa Maria era figura marcante no futebol da região e até mesmo do Estado. O clube era a terceira força do futebol santa-mariense e chegou a participar de Campeonatos Gaúchos da Segunda Divisão Profissional. Seu uniforme era idêntico ao do Grêmio Porto-Alegrense: camisas listradas em azul, preto e branco e calções brancos.
     Uma história cômica, relacionada a este clube e contada pelo radialista Darci Filho, ex-repórter da Rádio Pampa de Porto Alegre, hoje na Rádio Grenal, foi o caso do atacante Mauro, que após ser colocado no banco de reservas pelo então técnico, o inesquecível Dedão, teve uma ideia um tanto quanto inusitada para retomar seu antigo posto de titular da equipe:
     Antes do jogo começar, Mauro propôs pagar aos torcedores do tricolor de Santa Maria, um refrigerante para cada torcedor do extinto Guarany Atlântico Futebol Clube, que atazanasse o treinador ao lado da casa mata, pedindo o retorno do centroavante na equipe titular. A proposta fora prontamente aceita pelos torcedores, que além de assistirem a partida, molharam o gogó, as custas de Mauro.
    Agora, se a "brilhante" ideia deu certo, não sabemos, pois foi mais uma história que se perdeu no tempo, assim como o velho Guarany Atlântico.

segunda-feira, setembro 10

Contos do Futebol Gaúcho - O Justo


     Este não é um conto gaúcho, mas resolvi postar pois considero um dos melhores do gênero. Foi escrito pelo jornalista Armando Nogueira. Retrata bem a realidade do futebol de forma irônica. Serviria muito bem para representar o amadorismo em que vive hoje nosso futebol profissional.




O Justo
O Mundo é uma bola


     O treinador reuniu a turma no vestiário e escalou doze: onze e o goleiro. O capitão do time estranhou, avisando que havia gente demais. O técnico, porém sustentou a escalação:
     - Isso é problema do juiz, o teu é jogar e tentar ganhar a partida.
     E lá se foi o time para campo.
     Cinco minutos de jogo, a torcida começou a gritar, alertando o árbitro: “O Pipira tem doze!”. O árbitro interrompeu a partida, contou os dois times e deu uma bronca no capitão que, por sua vez, passou a bola ao treinador:
     - Fala co’ home ali.
     O juiz foi ao técnico e mandou tirar de campo o excedente. Uma confusão tremenda na pista. O técnico chamou o árbitro para uma conversa em particular. Saíram os dois na direção do centro de campo. A torcida, aos berros descompunha todo o atraso.
     Os dois isolados no grande círculo, o técnico pôs a mão no ombro do juiz e entrou nas explicações:
     - O problema é o seguinte: eu sou um homem de cinquenta anos, estreando na profissão. E sou novo aqui na terra. Acontece que hoje de manhã, o presidente do clube me deu um bocado de nome, pra pôr no time. Dois são protegidos do delegado, quatro do comandante do destacamento, o goleiro é filho do gerente do banco, o presidente diz que os dois pontas-de-lança têm que jogar de qualquer maneira. Eu fui escalando, escalando.
    - É, mas passou da conta – diz o árbitro, inflexível.
     - E eu não sei que passou? Ia ser mais. Por sorte, o sobrinho do prefeito amanheceu com o pé inchado e pediu ao tio pra não jogar. Senão, entravam treze.
     - Bom, mas pra começar o jogo, o senhor tem que tirar logo um… - diz o juiz.
     -Eu, tirar um? Deus me livre. Tira o senhor. Por mim, o time joga com doze. Se o senhor está dificultando, vai lá o senhor e tira um, escolhe lá um. O mais que eu posso fazer é colaborar com o senhor. Por exemplo, não tire nem o cinco nem o seis que dá bolo com o chefe de polícia. E o pior é que agora eu já confundi tudo: não sei mais se o oito é gente do comandante do destacamento ou se é o filho do gerente do banco.
     O árbitro encarou o técnico do Pipira, enfiou o apito no bolso e saiu como uma fera:
     - Doze contra onze, comigo não. Doze contra onze só se me expulsarem da Liga.
     Parou diante do banco dos reservas do Serrinha F.C. e dirigiu-se ao técnico, sentencioso como nunca:
     - Carvalho, bota mais um dos teus homens em campo, Carvalho. Eu tenho horror a injustiça!

Armando Nogueira