terça-feira, 28 de junho de 2016

Estrela x Lajeadense: O Clássico está de volta

     O jogo realizado no domingo, 07 de agosto de 2005 ficou para a história do Futebol do Vale do Taquari como a breve retomada do "Clássico das Barrancas": Estrela X Lajeadense. 
     Os jornais da região noticiavam com euforia a partida. A postagem a seguir é adaptada do jornal de Estrela. 
    O placar final foi uma elástica goleada em favor da equipe de Lajeado por 6 a 2.
    A contribuição é do amigo Ivar Dilli do site http://www.futebolregional.com.


     Brasil X Argentina, Grêmio X Internacional, Flamengo X Fluminense. Não adianta, o mundo do futebol vive também de rivalidades. E no Vale do Taquari não poderia ser diferente. No futebol amador da região, nos campeonatos internos dos clubes, clube X é rival de clube Y. São os clássicos os confrontos mais aguardados pela torcida pelos atletas e dirigentes. São eles que alimentam a alma do torcedor, sempre sedentos por uma vitória sobre o histórico adversário.
      Mas a história não esteve completa entre 1986 e 2005 no Vale do Taquari. Algo faltava. Na verdade faltava o eterno rival do CE Lajeadense. Mas depois de quase duas décadas inativo para o futebol profissional, o Estrela FC estava de volta. E com ele o velho "Clássico das Barrancas", ou a designação menos usada: o "Choque-Rei". O último jogo oficial havia ocorrido em 24 de agosto de 1986. O torcedor agradecia pelo retorno estrelense, pois a rivalidade nunca se apagou.
      Para tanto, bastava conversar um pouco com ex-jogadores, antigos dirigente, ou torcedores mais velhos. Contavam que vitória na casa do adversário muitas vezes significava ao time visitante e vencedor ter que atravessar "a braçadas" o Rio Taquari para não apanhar. E não foram poucos os jogos, como geralmente ocorre nos clássicos que geralmente ocorre confusão. Hoje os tempos são outros, há mais segurança e conforto. Torcem todos por seus times, mas também pela civilidade. Paz nos estádios é pedido de todos.
     O clássico de 2005 aconteceu as 15h e 30 min de 07 de agosto de 2005. O placar final foi uma elástica goleada em favor da equipe de Lajeado por 6 a 2. e marcava a estreia de dois dos três clubes do Vale na Copa RS 2005. O EC Encantado, esteve de folga nessa rodada, jogara somente no final de semana seguinte.  EC Juventude, SER Caxias, Esportivo e EC Guarani de Venâncio Aires eram os clubes que completavam o grupo.

Homenagem
    Este jogo e a partida de volta no segundo turno em Lajeado, marcaram também uma homenagem. Esteve em disputa o troféu Élio Giovanella, ex-presidente do Alviazul que na época estava enfermo. Na ocasião ficou acertado que o melhor das duas partidas conquistava o título.
    Na preliminar houve o encontro de ex-jogadores do clássico com os seguintes atletas: Lajeadense - Júlio, Adriano Ely, Paulão, Chiquinho, Eliseu, Dila, Manuel, Mauro e Pingo. Estrela - Foguinho, Tadeu,  Éverton, Ademir, Malminha, Ederson, Alberi, Preguinho entre outros.

Confronto especial

    O clássico entre Estrela FC e CE Lajeadense foi importante para muitas pessoas. Mas para o técnico José Carlos Frotta representou a realização de um sonho acalentado por 28 anos. É que depois de ter atuado pelo Lajeadense na década de 1970, Frota retornou para o Rio de Janeiro mas sua cabeça e coração nunca se desligaram de Lajeado.  Por todo este tempo, ele guardou dentro de si, a vontade de trabalhar no futebol do Vale do Taquari. Fez inúmeras visitas a amigos que ficaram e mesmo de longe dava um jeito de acompanhar a vida esportiva do Vale.
    Em 2004, tentou pela primeira vez, mas sua passagem pelo Lajeadense foi curta e tumultuada. Não o bastante para fazê-lo desistir. No início de 2005 apresentou seu projeto ao Estrela Futebol Clube e inicialmente trabalhou com as categorias de base, o que antecipou a retomada ao futebol profissional, algo previsto apenas para 2006.

Clássico em 1986 

     No choque-rei de 1986 o Lajeadense era treinado por Cacau e jogou com Edison, Nico, Paulão, Gilmar e Eliseu, Juarez, Itamar, Peninha (Ivan), João Luis, Betinho (Paulo Sereno) e Cléo.
    O Estrela comandado por Otacílio Viana formou com Carlão, Lauri, Ditão, Daio e Mallmann, Foguinho, Alamir, Fronza e Betinho, Omar e Gilmar.
     O que ninguém poderia imaginar é que esse clássico ficaria quase vinte anos sem ser realizado. Com a ascensão do Lajeadense à Primeira Divisão, os dois clubes não mais se encontraram pelo Campeonato Gaúcho.
     O Estrela FC ficou em atividade por mais dois anos e depois fechou as portas. Em 1990 jogou com o nome de Sociedade Esportiva e Recreativa Estrela. E neste ano foi realizado um "clássico", mas não faz parte da estatística do tradicional Estrela FC, pelo nome da entidade ser diferente, assim como o fardamento que era vermelho.



Equipe do CE Lajeadense que venceu o duelo em agosto de 1986.

Clássico de Outubro de 1975.

Os Personagens do Clássico:

Eugênio Noll
      Eugênio Noll, em 2005 tinha 82 anos, era administrador da rodoviária de Estrela e estreou como centro-médio do Estrela FC. Entre 1941 e 1943 fazia parte da prata-da-casa (como eram chamadas as categorias de base na época). "Na época as vitórias mais marcantes eram contra o Lajeadense", lembrava Noll. "Era um clássico. O campo não tinha alambrado, apenas uma cerca. Quando o jogo complicava havia invasão de campo. Noll guardava com ele inúmeras fotos retratando os velhos tempos. "Para mim cada uma delas é uma relíquia". O antigo atleta do clube ainda cita seus antigos colegas e em suas lembranças surgiam as histórias vivenciadas naquela época. "Tinha o 'Pé de Ouro", o Negrão, os irmãos Fischer entre outros.
     Mais tarde foi diretor do Estrela FC nas décadas de 1960 e 1970, consideradas a era de ouro do clube. Faleceu em outubro de 2011 aos 88 anos de idade.

Altemir Haussmann

      Gandula, o início de tudo - o árbitro auxiliar Altemir Haussmann, que em 2005 pertencia ao quadro da FIFA iniciou sua paixão pelo futebol fora dos gramados. Aos 10 anos de idade era dele a responsabilidade de devolver as bolas ao gramado do Estrela FC na tão conhecida função de gandula. Dia antes do clássico histórico, Altemir esteve no estádio e deu algumas palavras de incentivo aos jogadores.

Guta
      Goleiro - Leomir Pereira da Silva, o Guta, atuou como goleiro do Estrela FC entre 1973 e 1980. Para ele o fato marcante ocorreu em meados de 1975, quando o time se classificou para a Primeira Divisão. "Não existe coisa melhor que estar na Segunda Divisão e se classificar para a Primeira". Dizia Guta. A disputa era contra o Guarany de Garibaldi. Tínhamos que vencer como o escore de 1 a 0 e vencemos. Em 2005 o ex-goleiro fazia parte do Conselho Deliberativo do Clube. De acordo com ele, nos primeiros anos de existência do Estrela FC, havia maior identificação entre a comunidade e a entidade. Atualmente não há total identificação da equipe por que a gurizada não viu o Estrela jogar.

Estádio Aloisio Valentim Schwertner

      Palco das emoções - O local do confronto é sempre um capítulo a parte em qualquer clássico. Não poderia ser diferente para Lajeadense e Estrela. Na partida válida pelo primeiro turno da Copa RS 2005 o palco foi o Estádio Aloisio Valentim Schwertner. Para tanto o local passou por várias reformas. Cedido para o Estrela por dez anos, recebeu melhorias na sua estrutura, gramado e acomodações para jogadores e torcida.



Fontes:
- Ivar Dilli
- Futebol Regional

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