segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Especial - Construção da Arena Wolmar Salton

Das Roupas Velhas do Pai...

     Na terra de Vitor Mateus Teixeira o Teixeirinha, torcedor ilustre do Sport Club Gaúcho de Passo Fundo, poderíamos nos apropriar dos versos do lendário "César Passarinho", para descrever a construção da Arena Wolmar Salton em Passo Fundo.

     Após e perda de um processo judicial no ano de 2007 o Sport Club Gaúcho fechou as portas, ou pior: não teve nem as portas para fechar, pois ficou sem seu patrimônio, pois o mesmo foi leiloado para quitar a dívida com um rapaz que se acidentou nas piscinas do clube ainda na década de 1990. Até mesmo a utilização da marca "Sport Club Gaúcho" foi tentado judicialmente impedir que o clube administrasse.
     Quando todos pensavam que o Periquito tinha se acabado, o empresário Gilmar Rosso assumiu o clube e já no final de 2009 surgiu na mídia da região que o clube estava voltando ao futebol profissional e ainda na próxima temporada. Como poderia, se o clube já ultrapassava os 6 milhões de dívidas, somando a indenização, impostos e dívidas trabalhistas?
    Gilmar pôs o time em campo, participou da Divisão de Acesso em 2010, jogando em Marau; e 2011 já jogando m Passo Fundo no Vermelhão da Serra, foi rebaixado para Terceirona. No ano seguinte; em 2012,  foi vice-campeão da Terceira Divisão e em 2013 novamente rebaixado, voltando para a Terceira Divisão. Em 2014 fez uma campanha muito ruim, ficando nas últimas colocações deste certame, certamente pesou o fato de ainda não possuir uma estrutura adequada para um bom rendimento no futebol profissional. Nestes duros anos o clube teve de conviver jogo a jogo com a presença de oficiais de justiça confiscando a renda dos jogos.

SC Gaúcho que disputou a terceirona 2014. Foto tirada em maio, no Estádio Cristo Rei em São Leopoldo.

     As coisas começaram a mudar ainda em 2014 quando o clube conseguiu reaver a propriedade de sua antiga área, dando-lhe assim o direito de vende-la para que quitasse suas dívidas. A partir disso, conseguiu com a Prefeitura Municipal, ainda sob administração de Airton Dipp, a concessão de quatro hectares para a edificação de seu novo estádio.
     Passados os tempos terríveis, hoje, fora de campo, o Gaúcho está construindo uma moderna arena, no "Padrão Fifa" que inicialmente terá capacidade para 5 mil espectadores, e quando concluída abrigará 10 mil pessoas. A terraplanagem, a drenagem onde será o gramado, o sistema de irrigação, nivelamento do campo de jogo e do campo de treinamento, nivelamento para construção de arquibancadas, camarote e cabine de imprensa já estão concluídos. A construção das arquibancadas está em fase inicial.
    E o mais importante: as velhas marcas do antigo Estádio Wolmar Salton não foram deixadas para trás: as mil cadeiras do pavilhão social foram retiradas e recuperadas e estão aguardando o momento de serem colocadas no novo pavilhão, e continuarão pertencendo aos mesmos proprietários que as compraram no antigo estádio. Os restos de entulho e ferragens foram utilizados para a base da nova Arena, e até mesmo o gramado da "Montanha" foi replantado no talude da nova área, a fim de evitar a erosão. Isso não só para preservar a identidade do clube, mas como questão de economia e preservação ambiental.


Ginásio Teixeirinha, cedido ao Gaúcho até 2030. Nele está sendo instalada a nova sede do clube
    O clube assumiu junto ao Poder Público Municipal a gestão do Ginásio Teixeirinha, que fica poucos metros à frente da Arena Wolmar Salton, espaço este que foi concluído ainda em 2004 e mesmo sendo um dos maiores do sul do Brasil, com capacidade de 10 000 espectadores sentados, mas nunca abrigou um evento esportivo oficial, e hoje é considerado o elefante branco de Passo Fundo. Depois de sua reforma, servirá como sede do clube, alojamento para jogadores e será enfim utilizado para práticas poliesportivas pela comunidade passo-fundense. Os vestiários do ginásio serão utilizados pela Arena.
   

Visão parcial da obra no mês de novembro de 2014. Foto: Kleiton Vasconcellos
    Recentemente o clube realizou a prestação de contas da venda da área no Bairro Boqueirão, que foi arrematada pelo Hospital São Vicente de Paula por 8,6 milhões de reais. Deste montante sobraram pouco mais de 2 milhões para o clube e o restante ficou para o pagamento de dívidas. Hoje o Gaúcho pode-se orgulhar em ser um dos poucos clubes do futebol gaucho que não possui nenhuma dívida e nenhuma ação trabalhista. A direção está otimista quanto a previsão de inauguração. Têm-se ideia de que em abril de 2015 a nova Arena Wolmar Saltion já receba jogos oficiais.
    Campanhas para a arrecadação de cimento foram recentemente iniciadas: quem quiser colaborar basta comprar as camisetas do clube nos valores de duzentos Reais e quinhentos Reais, que serão convertidas em dez e vinte sacos do material, respectivamente.   
     Próximo de completar seu centenário, que será comemorado em 1918, o Periquito Passo-fundense vislumbra um futuro de novas glórias, em sua nova casa, e com a possibilidade de voltar a ser uma das potências do futebol do interior gaúcho. Tanto na década de 60 quando despontou no cenário estadual, quanto nos anos 2000 que chegou a disputar a Série A do Campeonato Gaúcho e Série C do Campeonato Brasileiro.

Boa sorte ao Sport Club Gaúcho, que na contramão do nosso futebol  vêm se reestruturando dia a dia!

Um comentário:

  1. Que história de garra e superação essa do Sport Club Gaúcho... Com certeza dias de muitas glórias virão!

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