terça-feira, 5 de janeiro de 2016

História do EC Real de Viadutos/RS


    A história inicia no ano de 1980, quando um grupo de jovens se reúne com o propósito de formar um time de futebol e fazer o que mais gostavam, jogar futebol de campo. A reunião destes jovens se deu em função dos mesmos serem preteridos e não serem aproveitados nos times existentes na época na cidade, ou seja, Viadutense Futebol Clube e uma dissidência deste que foi o Juvenil, formado por grandes jogadores e também jovens de Viadutos.

SC Real em março de 1980 - Estádio Municipal de Viadutos. Jogo de inauguração do uniforme contra o Juventude do Bairro Tochetto. Em pé de abrigo: Técnico Chico Saraiva, Nene, Célio, Tito, Momi, Aldoir, Deco e o mais maduro Celso Demarco;
Agachados: Nego, Diomeris, Edison, Flávio Sique e Carlinhos.

Real na final do municipal de 1982 - Estádio Municipal de Viadutos.
Em pé: Baratto, Célio, Flávio, Tcheleca (Sergio), Mario, Dado, Pirata e Tite (Dirceu Demarco);
Agachados: Neri, Mauro, Kiko, Gerson, Ede e Nene Cargil.
     Para terem oportunidade formam um time de futebol, inicialmente batizado de Real, em homenagem ao Real Madrid, da Espanha. Uma característica deste time era a juventude e a impetuosidade de seus componentes, grande motivo de não serem aproveitados nos outros times. A grande maioria era pavio curto e de temperamento explosivo, característica marcante da juventude da época.
    O mais maduro e um dos únicos que tinha emprego e condições financeiras, bancou grande parte do uniforme do time, para que pudesse fazer seus jogos. O jogo inaugural do uniforme foi contra o Esporte Clube Juventude do Bairro Tochetto, em março de 1980. Por aproximadamente seis meses o time se limitou a fazer alguns jogos amistosos no Estádio Municipal e no interior de Viadutos. Seu primeiro jogo fora de casa foi em Gaurama no campo do Grêmio Esportivo Santa Isabel.
     Não demorou muito e novos atletas foram sendo agregados ao time e foi crescendo a ambição e também as pretensões dos componentes. Em janeiro de 1981, já podiam fazer jogos com duas equipes e ainda sobravam atletas na reserva. Todos os atletas, para fazerem parte do time, tinham que ser aprovados em reuniões com todos os componentes e se por ventura alguém vetasse a entrada no time ele não era aceito.
     Esta estrutura de ser somente um time de futebol começa a ser insuficiente para a pretensão dos atletas e também das necessidades e lacunas deixadas pelos outros clubes da cidade. A decadência do Viadutense Futebol Clube tinha se iniciado e o agora já rebatizado Sport Club Real surge como seu maior rival e também começa e ameaçar a hegemonia deste time que já fazia parte da história de Viadutos.
    O grande objetivo naquele momento era jogar futebol e participar do Campeonato Regional organizado pela Liga Alto Uruguai de Futebol. O time já vinha se consolidando e contava com vários atletas jovens, mas de grande qualidade técnica, garra e vontade de vencer. Num deslize do Viadutense Futebol Clube, o Real jogou um campeonato da Liga Alto Uruguai usando o nome do Viadutense, pois não era sócio e não tinha personalidade jurídica. O resultado não foi grande coisa, mas serviu para dar experiência aos atletas e também para provocar uma revolta nos dirigentes do Viadutense.
    Esta ambição em fazer parte da Liga Alto Uruguai de Futebol fez com que os jovens do Sport Clube Real, percebessem a necessidade de se organizarem e também de formarem um Clube com personalidade jurídica, recursos financeiros e com maturidade de enfrentar grandes desafios.
    Durante os anos de 1982 e 1983, além do futebol a estrutura de um clube social, cultural, recreativo e esportivo vai amadurecendo e se fortalecendo através de promoções, bailes, jantares, ações entre amigos e jogos de futebol, futebol de salão e voleibol, masculino e feminino.
    Como o Real não dispunha de uma sede social suas reuniões e promoções aconteciam em diversos locais, no Salão Paroquial, no Bar do Bonatto, no Bar do Etelvino Vila e por um bom período na Hípica de Viadutos. Para angariar fundos, até carreiras em cancha reta foram promovidas. Tudo era bem organizado com escalas de trabalho, dedicação e amor pelo time.
Jogo de inauguração do uniforme do EC Real em 22.07.1984. - Em pé: Neri, Edison, Tite, Baratto, Mario, Diomeris, Célio, Dado, Caio, Flávio, Paulinho, Clóvis e Paulo Brancher. De pala atrás, pois era muito frio Claiton Brum. Agachados: Pirata, Nene, Ede, Dirceu Baldissera, Gerson, Ademir, Kiko, Julio e Toninho .
    Em 19 de maio de 1984, na cozinha do Salão Paroquial, na cidade de Viadutos, aquele grupo de jovens destemidos, determinados e muito coeso fundam o Esporte Clube Real, com a presença de mais de 60 sócios homens e mulheres. Foi um fato marcante que mudou toda a história e a trajetória dos clubes da cidade. Infelizmente, este momento não foi registrado em imagens, mas ficou o registro em livro ata e certamente na memória de cada um e de cada uma que participou desta assembleia de fundação.
    Agora como clube formalmente constituído os sonhos e ambições se multiplicaram e contagiavam os agora, associados (atletas) em buscarem novas realizações. Como surgiu do futebol, este ainda era o grande motivador e os times contavam com bons jogadores, tanto nos aspirantes como no time principal. Cabe aqui ressaltar a grande capacidade de formar e oportunizar aos jovens ascenderem e irem se construindo e constituindo como jogadores amadores de futebol.
    O Esporte Clube Real tentou por inúmeras vezes fazer parte da Liga Esportiva do Alto Uruguai, mas infelizmente seu nome foi sempre barrado, mas nem por isto disputou inúmeros jogos em várias cidades da região. Fez ainda excursões por Santa Catarina para jogar futebol.
     Como foi impedido de disputar competições regionais o clube foi se especializando em conquistar títulos municipais de futebol de campo e futebol de salão. Também disputou torneios regionais tendo conquistado alguns títulos. Em pouco mais de 15 anos o Clube conquistou mais de 20 troféus, que fazem parte da história vitoriosa.
    As ambições não ficaram apenas no futebol. Era preciso dar passos mais sólidos e marcantes rumo ao futuro. Com isto foram sendo agregados novos sócios mais maduros e com maior caminhada. Paralelo a isto o Clube desenvolve uma campanha para divulgar sua marca, com sacolas, camisetas e outros produtos. O escudo é inspirado no do Grêmio F. Portoalegrense e também é criado um mascote chamado de Realito.
    O sonho começa a tomar forma, que é o de ter uma sede social para ser a sua casa. Como já foi destacado anteriormente, a gurizada era marrenta e não se contentava como pouca coisa. Surge então a ideia de construir um Parque Esportivo, com piscinas, campos de futebol, futebol sete, quadra de esportes, área de laser e tantas outras coisas. Foram buscar inspiração, informações e aconselhamento com a AABB e o CER Atlântico de Erechim.
   No início de 1986, o Clube compra de Djair Strapasson, um terreno composto por quatro lotes, com aproximadamente 4.000 m², localizado na Rua Carlos Gomes. No local tinha muita água e um pequeno córrego. Também existiam alguns problemas com divisas que causaram alguns transtornos iniciais.
    Com o terreno iniciou-se a construção de uma maquete e de um pré-projeto para apresentar a sociedade Viadutense. No início alguns setores mais conservadores da sociedade tacharam este sonho de loucura e que não aconteceria.
    Em agosto de 1986, apenas dois anos após sua fundação, o Esporte Clube Real, apresenta o projeto, a maquete e no mesmo dia faz o cadastro dos sócios interessados em adquirir seu título de sócio proprietário do Parque Real. Foram lançados 100 títulos de sócios proprietários e mais 20 títulos de sócios para os já fundadores com condições melhores de pagamento para os que não possuíam condições de pagar em doze vezes.
  Do lançamento em agosto de 1986 até a abertura das piscinas em 24 de janeiro de 1988, foram apenas 18 meses, para que a sociedade Viadutense pudesse desfrutar desta estrutura.
     Do projeto inicial, materializado na maquete, a questão do campo de futebol e da quadra de esportes foi abandonada por falta de espaço e também por não ter necessidade, pois o município já contava com estádio municipal e também ginásio de esportes.
Nos primeiros anos a estrutura foi sendo aperfeiçoada e melhorada, sempre com o objetivo de proporcionar entretenimento e laser aos associados e suas famílias. Foram construídos o campo de futebol sete, quadra de voleibol (inicialmente de grama e agora de areia), cancha de bochas, churrasqueiras, parque infantil e o parque foi sendo arborizado.

Entrada do clube

Foto aérea do complexo esportivo.

    No mês de janeiro de 1987, começam os trabalhos de construção das piscinas, dos vestiários e também de um local para uma pequena sede social, inicialmente não prevista no projeto. Era um período conturbado na economia do país com inflação, desvalorização da moeda e altas constantes nos preços dos materiais de construção. Para dar conta dos gastos foi feita uma chamada de capital, onde perdemos alguns associados que não aceitaram esta decisão.
     Também foram feitos empréstimos de terceiros e posteriormente pagos. Mesmo assim, apesar das dificuldades, em 23 de janeiro de 1988, as piscinas são inauguradas com grande euforia e satisfação de uma equipe que não mediu esforços e dedicação para que isto acontecesse. Do lançamento em agosto de 1986 até a abertura das piscinas em 24 de janeiro de 1988, foram apenas 18 meses, para que a sociedade Viadutense pudesse desfrutar desta estrutura.
E.C. Real em 17.06.1990 -  Em pé: Edison, Chico, Nézio, Mima, Mauro, Diomeris, Nico, Kako, Fernando, Tite, Leco, Flávio Toniolo e Neri; Agachados: Teco, Ademir, Kiki, Eloi, Calderolli, Tcheleca, Elimar e Paulo Samuel.
     Hoje, trinta anos após sua fundação, o Esporte Clube Real, tem 102 sócios proprietários. Sua estrutura física conta com piscina adulta e infantil, vestiários, quadra de voleibol de areia (iluminada), campo de futebol sete (iluminado) com vestiários próprios, sede aberta e coberta para festas ao ar livre, sede social, cancha de bocha ao ar livre (iluminada), parque infantil, amplo e acolhedor espaço arborizado, onde seus associados podem passar horas agradáveis com seus familiares e amigos.
     O futebol que foi o início de tudo, atualmente não é mais praticado de forma competitiva por seus associados, pois os jovens atualmente preenchem seu tempo de lazer de outras formas. Fica o legado deste clube que com união, objetivos comuns, determinação, dedicação e espirito comunitário é possível construir grandes realizações. Fica também a lição que as conquistas se concretizam se as diferenças são respeitadas e o foco for o bem comum e melhoria de nossa sociedade.


E. C. Real Campeão Municipal de Futebol de Campo - 1985
Em pé: Paulo, Darci, Baratto, Beto, Tite, Célio, Artêmio, Neri, Ernani, Mário, Tito e Bicho (Técnico);
Agachados: Celso, Schique, Dirceu, Kiko, Zica, Ademir, Claiton, Diomeris e Valdir Zonin.
Estádio Municipal de Viadutos em 01/09/1985 o tricolor venceu a equipe da Coxilha por 2 a 0 na final.
Jogo festivo de entrega de faixas aos Campões de 1985.
Em pé: Tito, Bitcho, Mario, Diomeris, Valdir, Schique, Célio, Dirceu, Paulo, Tite e Beto;
Agachados: Celso, Baroninho, Ademri, Zica, Neri, Nico, Claiton (Leonardo) Ernani e Baratto
E.C. Real - Vice campeão municipal 1986
Em pé: Artêmio (Técnico), Joaquim, Darci, Claiton, Machado, Ernani, Tite, Baratto, Nico, Fernando Vila e Tito;
Agachados: Triches, Tcheleca, Toninho, Kiko, Zica, Neguinho, Diomeris e Jorge
E.C. Real - Campeonato Municipal de 1987/1988
Em pé: Artêmio (Técnico), Neguinho, Kiko, Claiton, Momi, Diomeris, Mima, Eloi Basso e Toni Michelotto;
Agachados: Casquinha, Schique, Tcheleca, Tite, Ico e Nitcho Basso e Celso.

Edison Roberto Demarco – sócio fundador e ex-presidente

2 comentários:

  1. Baita artigo Edison, meus parabéns! A história Viadutense e do E. C. Real é muito rica, tem que ser passada adiante. Att. Fernando Piovesan.

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